O Sermão da Montanha - As Bem-Aventuranças

Mateus 5.1-12

 

                Um dos discursos mais conhecidos de Jesus é, sem dúvida alguma, o Sermão da Montanha, ou Sermão do Monte. Muito já foi escrito e falado sobre ele, e provavelmente o que farei aqui será apenas uma repetição daquilo que alguém já se propôs a fazer, mas espero que aqueles que leem este breve estudo possam meditar na Palavra de Deus e se submeterem a ela de modo que suas vidas sejam transformadas pela graça de Deus.

 

O Sermão da Montanha trata-se de um longo ensinamento proferido por Jesus não somente aos seus discípulos, mas também às multidões que o ouviam, no qual Jesus ensina quais desdobramentos práticos a Palavra de Deus deve ter em nossas vidas, ao mesmo tempo em que expõe os verdadeiros significados e interpretações a serem aplicados à Palavra. A expressão “bem-aventurado” tem origem no na palavra grega makarios (μακάριος), que também poderia ser traduzida por “abençoado”, “afortunado” ou “feliz”. Então, vemos que as “bem-aventuranças” proferidas por Jesus nos mostram características que alguém deve apresentar para ser considerado “feliz” aos olhos de Deus, mas não necessariamente aos olhos do mundo.

 

                Neste primeiro estudo, veremos as 8 “bem-aventuranças” pronunciadas por Jesus, bem como suas implicações práticas em nossas vidas. Para isso, vou citar as bem-aventuranças uma a uma, fazendo uma breve explanação sobre elas, já direcionando aspectos práticos para nossas vidas. Ao final, tentarei uni-las numa conclusão que também se propõe a nos desafiar à uma vida cada vez mais conforme ao que Deus intencionou para aqueles que nEle creem.

 

                A 1º Bem-Aventurança

 

“Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus.” (Mateus 5.3)

 

                A expressão “pobres em espírito”, ptochoi to pneumati, significa “aqueles que reconhecem suas fraquezas e necessidades”. Jesus está falando de alguém que reconhece que carece da misericórdia de Deus e que não é suficiente em si mesmo. O termo “pobre” na mente bíblica não é restrito à quem carece de recursos materiais, mas sim aquele que carece de qualquer coisa. Quando Jesus fala em ser “pobre em espírito”, ele fala sobre a pessoa que reconhece que lhe falta algo no sentido espiritual e, portanto, depende de Deus. É por isso que Jesus nos fala que “deles é o Reino dos céus”, pois somente aqueles que confiam somente em Deus e não em suas próprias forças é que podem fazer parte desse Reino.

                No sentido prático, precisamos aprender a lidar com nosso orgulho próprio e nossa independência de Deus, pois aprendemos que essas atitudes não somente nos privam da felicidade, desfrutada na presença do Pai, como também nos privam do Reino, desfrutado debaixo da autoridade do Rei dos reis.

 

                A 2º Bem-Aventurança

 

“Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados.” (Mateus 5.4)

 

                A palavra grega traduzida por “chorar”, pentheo (πενθέω), também nos traz a ideia de “lamentar”. Lamentar pelo que? Eu acredito que Jesus esteja se referindo ao pecado e à vida que desagrada a Deus. Jesus nos diz que felizes são os que olham para sua própria vida e lamentam e choram pelos resultados que o pecado tem produzido nelas ofendendo a Deus. Estes, que lamentam pelas ofensas causadas ao Pai, serão consolados. No grego, a palavra traduzida por “consolar” é parakaleo (παρακαλέω). Esta palavra nos traz a ideia de sermos “chamados (kaleo) para o lado (para)” por alguém, ou seja, por aquele que nos consola, ou nos conforta, e está ao nosso lado. Esta mesma palavra tem também o sentido de “encorajamento”. É como se Deus estivesse ao nosso lado, enxugando as lágrimas dos nossos olhos e, ao mesmo tempo, nos encorajando a seguirmos em frente. Na verdade, quando Jesus se refere ao Espírito Santo como sendo o “Consolador”, ele usa a palavra parakletos, que é derivada de parakaleo. Jesus nos disse que o Espírito Santo nos convenceria do pecado, e isso deveria causar em nós lamento por termos ofendido ao Pai, mas ao mesmo tempo nos diz que o Espírito Santo nos consolaria e nos encorajaria a seguir em frente por amor a Deus. Esses que, pela fé, recebem o dom do Espírito Santo (Atos 2.38) são bem-aventurados.

 

                Devemos notar que nessa bem-aventurança temos “felicidade” ao lado do “choro”. Isso nos mostra que podemos estar felizes ao lado do Pai, que nos consola, ainda que lágrimas estejam correndo pelos nossos olhos, porque nossa satisfação estará nEle quando isso acontecer. É o que Paulo quer dizer com as palavras “entristecidos, mas sempre alegres” (2 Coríntios 6.10).

 

                A 3º Bem-Aventurança

 

“Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança.” (Mateus 5.5)

 

                Humilde, do grego praus (πραΰ́ς), denota uma atitude e não uma condição social desfavorecida como já vi muitas pessoas dizerem em relação a esse versículo. Jesus está falando de uma atitude isenta de orgulho, soberba ou arrogância para com os outros e principalmente para com Deus. Essa humildade produz, no homem, uma disposição em ouvir, aprender, servir, ser dependente. A mesma palavra foi usada pelo próprio Jesus para se referir a si mesmo em Mateus 11.29: “sou manso e humilde de coração.”. Isso nos revela que a palavra praus traz também o sentido de “mansidão”.

 

Pessoas com essa atitude, que somente pode ser produzida pelo próprio Deus em nós (conforme o Fruto do Espírito em Gálatas 5.22-23) e que refletem em nós o caráter de Cristo é que “receberão a terra por herança”. Essa “terra” à qual Jesus se refere é claramente uma referência à Nova Jerusalém onde com ele estaremos para sempre. Será que de fato temos sido “imitadores de Cristo”, mansos e humildes? Devemos nos lembrar da primeira bem-aventurança, que nos ensina a sermos “pobres em espírito”, dependentes de Deus. O fato de nos tornarmos humildes e/ou mansos como Cristo não depende de nós mesmos, mas sim do agir de Deus em nossas vidas. Aqueles cujas vidas já têm sido moldadas pelo Espírito Santo são os que, em consequência disso, herdarão a terra. Repito: Não por mérito ou esforço próprios, mas pela graça de Deus.

 

A 4º Bem-Aventurança

 

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.” (Mateus 5.6)

 

                Ao contrário do que muitos podem pensar, a palavra traduzida por “justiça”, dikaiosune (δικαιοσύνη), não significa a justiça retributiva que Deus exercerá sobre todo o mal e impiedade no futuro de modo a castigar quem tiver praticado a injustiça. Essa palavra significa, literalmente, “retidão”. Trata-se da retidão moral que agrada a Deus, ou seja, a conformidade com os padrões morais estabelecidos por Ele. Jesus está nos ensinando que aqueles que têm fome e sede pela retidão moral que agrada a Deus de modo que se tornem mais parecidos com Cristo, esses serão satisfeitos, porque o próprio Deus produzirá neles essa transformação moral através do agir do Espírito Santo.

 

                É importante ressaltar que “ter fome e sede” implica em um desejo, ou vontade, por algo. Lemos em Filipenses 2.13, que “Deus é quem efetua em nós tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a sua boa vontade”. Portanto, mais uma vez, esse desejo pelo padrão moral que agrada a Deus não vem de nós, mas do agir do Espírito Santo em nossas vidas, e nos evidencia que Ele está, de fato agindo em nós por já ter nos aceitado em Cristo através da fé. A questão seria então qual nossa motivação em “obedecer” a Deus. Para obtermos algo, ou para agradarmos a Deus porque já obtivemos o que Ele preparou para nós? Ambição egoísta, ou gratidão? Estou pensando que são minhas ações que alterarão meu caráter como um tipo de “recompensa” pelo que eu fiz por Deus, ou tenho ciência de que é o agir transformador de Deus sobre meu caráter que produzirá ações que O agradem e reflitam a glória dEle em minha vida?

 

                A palavra traduzida por “satisfeito”, chortazo (χορτάζω), indica não apenas uma satisfação que saciará nossa fome e sede, mas sim algo que nos deixará satisfeitos de maneira abundante! Essa é uma promessa de Deus, ou seja, de abundantemente produzir em nós essa retidão que O agrada de modo que tenhamos em nós estampado o caráter de Cristo. O apóstolo João nos diz, em 1João 3.7: “Filhinhos, não deixem que ninguém os engane. Aquele que pratica a justiça é justo, assim como ele é justo.” Deus é quem produz essa “retidão” em nosso caráter, e que transborda em ações para com o próximo com o rótulo de “amor”. Mas essa retidão produzida por Deus em nós ainda não é plena, porque essa plena satisfação só ocorrerá quando Cristo voltar e extirpar para sempre de nós a presença do pecado que ainda carregamos.

 

                A 5º Bem-Aventurança

 

“Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia.” (Mateus 5.7)

 

                A palavra traduzida por “misericordioso”, eleemon (ἐλεήμων), traz uma ideia muito mais ampla do que imaginamos. A misericórdia pode ser descrita como “a benevolência do coração que faz com que a pessoa ignore as ofensas ou trate um ofensor de maneira melhor do que a que ele de fato merece”. Ela é exercida principalmente em relação a um ofensor. O que Jesus nos ensina é que obteremos exatamente aquilo que praticamos, seja dos homens ou de Deus. Essa misericórdia que obtemos no trono da graça, dia após dia, depende de nossa comunhão com o Pai, e tão somente nossa comunhão com Ele esteja rompida por não termos sido misericordiosos para com nossos ofensores assim como o Pai foi misericordioso para conosco, havemos de confessar isso a Ele e pedir perdão. Deus nos tratará, como ofensores diários de Sua santidade, exatamente da mesma forma com que tratamos nossos ofensores terrenos. Isso, porém, conforme já dito, não implica em perda de salvação, mas sim de comunhão e, com ela, todos os seus benefícios desfrutáveis somente num relacionamento sem impedimentos com o Pai.

                Quero destacar novamente que os “misericordiosos” não são aqueles que por si mesmos conseguem agir com seus inimigos de uma maneira melhor do que a que eles merecem, mas sim aqueles que Deus capacita para agirem assim. Deus é misericordioso para com aqueles que Ele chama e insere em Sua família, e produz neles essa mesma misericórdia que será praticada em relação a nossos inimigos de modo que Deus seja visto em nossas ações.

 

                A questão que nos cabe é se de fato temos tratado nossos ofensores de uma maneira que eles se sintam envergonhados de nos terem ofendido. Isso é o que Paulo nos exorta a praticarmos, em Romanos 12.20-21: “Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele". Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem.” A misericórdia é algo que Deus exerce em nós e nos capacita a exercer sobre nossos inimigos de forma que  Deus seja glorificado em nós.

 

                A 6º Bem-Aventurança

 

“Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus.” (Mateus 5.8)

 

                Coração, nas Escrituras, significa “o assento do intelecto”, ou seja, a mente. Jesus está nos dizendo que os que têm a mente pura é que verão a Deus. A expressão “ver a Deus” significa “ter um relacionamento com Ele”, e isso significa comunhão com o Pai. A questão então é como ter nossa mente “pura” de modo que tenhamos comunhão com Deus? Isso só será possível através da prática da confissão de pecados a Deus e do pedido de perdão. Confessar pecados, do grego homologeo, significa não somente “nomear” nossas falhas a Deus, mas sim “concordar” com Ele sobre o que Ele diz acerca de nossos erros. É como se disséssemos a Ele: “Senhor, eu reconheço que falhei nisso, e sei que isso é errado conforme o Senhor diz”.

 

                O apóstolo João nos diz, em 1 João 1.9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.” Se confessarmos, Deus nos perdoa os pecados e nos purifica de toda a “injustiça”, ou seja, de toda a “não conformidade com Seu padrão moral”. É como se chegássemos diante dele sujos, e saíssemos “limpos”, ou “purificados”. É exatamente isso o que Jesus nos diz. Felizes são os que tem sua mente pura diante de Deus pela prática da confissão de pecados, porque assim eles terão comunhão com o Pai. Será que temos praticado isso e valorizado uma vida limpa perante Deus pela prática da confissão? Será que temos valorizado a comunhão com Ele acima de todas as coisas?

 

                A 7º Bem-Aventurança

 

“Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.” (Mateus 5.9)

 

                Eirenopoios (εἰρηνοποιός). Essa é a palavra traduzida por “pacificador”. Literalmente, significa “promovedor de paz”. Jesus poderia ter em mente Provérbios 12.20 quando disse isso, pois está escrito: “O engano está no coração dos que maquinam o mal, mas a alegria está entre os que promovem a paz.”. Quanto a isso, vejo alguns desdobramentos nesse termo.

 

  1. Somos chamados a promover a paz entre os homens, segundo Romanos 12.18; Hebreus 12.14; 1 Tessalonicenses 5.13; Colossenses 3.14-15; Efésios 4.3; 2 Coríntios 13.11; Marcos 9.50;

 

  1. Somos chamados a promover a paz entre os homens e Deus, segundo Efésios 6.15, que nos fala sobre o “EVANGELHO DA PAZ”;

 

Os que promovem a paz entre os homens serão chamados filhos de Deus pelos homens porque esse ato de “promover paz” quando todos querem guerra evidenciará às pessoas que de fato Deus é quem está agindo através de nós, produzindo em nós o que Ele quer mostrar aos homens revelando Seu poder, afinal de contas, a paz também é Fruto do Espírito (Gálatas 5.22-23).

 

Os que promovem a paz entre os homens e Deus, mediante a pregação do evangelho da paz, serão chamados filhos de Deus pelos homens, porque carregam consigo a mensagem divina, que promove a iniciativa de Deus, que antes estava em guerra com o pecador, em reconciliar consigo esse pecador mediante a fé na obra de Cristo. É essa a paz à qual Paulo se refere em Romanos 5.1-2: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de quem obtivemos acesso pela fé a esta graça na qual agora estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.”.

 

Portanto, somos chamados a não somente promovermos a paz entre os homens, mas também entre os homens e Deus mediante a pregação do evangelho da paz. Nesse sentido “duplo”, será que temos sido promovedores da paz entre os homens e Deus pela pregação do evangelho aos perdidos? Será que temos sido promovedores da paz entre os homens do mundo de modo que eles vejam que há algo diferente em nossas vidas? Será que temos sido promovedores da paz entre nossos irmãos de modo que as ofensas sejam deixadas de lado e que o amor e o perdão estejam cada vez mais enraizados em nossos corações?

 

A 8º Bem-Aventurança

 

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês.” (Mateus 5.10-11)

 

                Jesus chega aqui ao ápice das bem-aventuranças, onde ele nos mostra que seremos felizes quando formos perseguidos pelo mundo por causa do padrão moral de conduta que ele exige de nós. Ele nos diz ainda que seremos felizes quando, por causa dele, formos insultados, perseguidos e caluniados. Como podemos ser chamados “felizes” diante de um quadro desses? Será que é esse o padrão de “felicidade” que a grande maioria dos evangélicos atualmente nos incentiva a buscarmos? Será que atualmente, seremos de fato chamados de “felizes”, inclusive por muitos evangélicos, se estivermos debaixo de perseguição, insultos e calúnias? É isso o que o Evangelho Triunfalista da Prosperidade e dos versículos fora de contexto ensina?

 

                O apóstolo Pedro nos exorta, dizendo: “Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês.” (1 Pedro 4.14). É exatamente isso o que Jesus nos ensina. Que aqueles que pertencem a Cristo encontrarão perseguição, barreiras, insultos, calunias e tudo mais que se possa imaginar, porque as pessoas do mundo estão em guerra contra os filhos de Deus. Isso é fato! Jesus nos fala sobre sofrermos perseguição por causa do seu nome, mas também nos diz que isso é evidência de que pertencemos a Ele!

 

                Examinemos nossas vidas para verificar se de fato, ao vivermos os valores e princípios que Jesus nos ensina, estamos sendo discriminados, atacados ou o que quer que seja por causa de nossa fé. E se estivermos, não desanimemos, mas nos alegremos, porque isso é o que Jesus disse que os verdadeiros cristãos receberiam aqui, nesse mundo, como consequência de o seguirem.

 

                Conclusão

 

                Façamos um resumo das bem-aventuranças ditas por Jesus:

 

  • Traços de Caráter: os pobres de espírito, os que choram, os humildes, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacificadores, os perseguidos, insultados e caluniados;

 

  • Consequências: têm o Reino dos céus, serão consolados, receberão a terra por herança, serão satisfeitos, obterão misericórdia, verão a Deus, serão chamados filhos de Deus.

 

Quando olhamos somente para as consequências das bem-aventuranças, isso salta aos nossos olhos de tantas coisas boas e agradáveis que podemos contabilizar. Isso é o que a grande maioria das pessoas, que querem, na verdade, serem “servidos” por Deus, busca. Em outras palavras, querem os resultados, sem passar pelos “meios”. O que Jesus nos ensina é que receberão essas bem-aventuranças aqueles que apresentarem o aspecto do CARÁTER necessário para isso.

 

As Escrituras nos ensinam que “Bem-aventurados são os que lavam suas vestes [no sangue do cordeiro]” (Apocalipse 7.14; 22.14). As Escrituras nos ensinam também que os que fazem isso, através da fé, recebem o Espírito Santo que, dali pra frente, atuará neles de modo que seu caráter seja moldado ao caráter de Cristo (cf. Romanos 8.29; Gálatas 5.22-23; 2 Coríntios 3.18; Colossenses 3.10), em cumprimento dos desígnios eternos de Deus (Efésios 1.1-14). É esse caráter transformado, fruto do agir de Deus em nossas vidas e moldado através do sofrimento e da perseguição sobre nós por permissão divina, que nos garantirá essas bem-aventuranças, tanto aqui, quanto na eternidade, ao depositarmos nossa confiança somente naquele que é digno de toda a glória.

 

Jesus também nos disse que “Felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e lhe obedecem” (Lucas 11.28), porque a obediência também é fruto de um caráter transformado, e quando colocada em prática estabelece a comunhão com Deus e isso é a verdadeira fonte da felicidade. E o livro de Apocalipse nos revela uma verdade suprema, e eu acredito que essa é a melhor bem-aventurança que pode haver nas Escrituras: “Felizes os que morrem no Senhor de agora em diante” (Apocalipse 14.13). Os que morrem no Senhor serão eternamente felizes, com uma alegria indizível e gloriosa, fruto de plena comunhão na presença do Senhor por toda a eternidade.

 

Que nós possamos de fato não desejar somente as bem-aventuranças de Deus em nossas vidas, mas também estarmos desejosos pelos meios através dos quais essas bem-aventuranças chegam até nós, ainda que seja a dor ou o sofrimento, não somente porque entendemos que esses meios nos aproximam mais do Pai, mas também porque sabemos que no fim, o propósito disso tudo é única e exclusivamente a glória de Deus e a transformação de nosso caráter à Sua imagem, de modo que em Sua presença possamos desfrutar da alegria eterna. Que nós possamos sempre nos lembrar de que tudo isso só é possível hoje por causa da cruz e por causa da obra de Cristo, e somente para os que creem; salvos pela graça.